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Musculoesquelético

Condrocalcinose

Condrocalcinose

Definição da condrocalcinose

A condrocalcinose é uma afeção caracterizada por um depósito de cristais de pirofosfato de cálcio. Estes depósitos podem encontrar-se ao nível das articulações, principalmente na cartilagem. Este depósito pode provocar uma inflamação e dores articulares semelhantes às da gota. Por esta razão, as articulações mais frequentemente afetadas são o joelho, o punho e o tornozelo. A idade avançada é frequentemente responsável pela condrocalcinose, mas perturbações metabólicas como o hiperparatiroidismo, a hemocromatose ou outras doenças subjacentes também a podem provocar.

Epidemiologia

Na Suíça, cerca de 5 a 10 % das pessoas com mais de 60 anos apresentam sinais de condrocalcinose. Esta prevalência aumenta significativamente com a idade. Atinge cerca de 30 a 50 % nos indivíduos de 80 anos ou mais. A doença é mais frequente nas mulheres, com uma predominância de 60 % dos casos em comparação com os homens. Cerca de 10 a 15 % dos doentes desenvolvem sintomas articulares, frequentemente sob a forma de dores agudas. Embora, em geral, esta condição seja assintomática.

Causas da condrocalcinose

O depósito de cristais de pirofosfato de cálcio na cartilagem das articulações causa a condrocalcinose. A acumulação destes cristais nos tecidos articulares ocorre quando o equilíbrio do metabolismo do pirofosfato de cálcio se perturba. Esta acumulação provoca uma inflamação articular, podendo levar a dores agudas, inchaço e rigidez. O depósito de cristais pode também provocar danos crónicos nas articulações. Estes danos conduzem, a longo prazo, a uma degenerescência articular e a uma redução da mobilidade.

Fatores de risco

Os principais fatores de risco da condrocalcinose incluem:

  • Idade avançada: A prevalência da condrocalcinose aumenta significativamente com a idade, em particular após os 60 anos.
  • Antecedentes familiares: As formas familiares de condrocalcinose podem estar associadas a mutações genéticas, aumentando o risco nos membros de uma mesma família.
  • Perturbações metabólicas: Condições como o hiperparatiroidismo, a hemocromatose (excesso de ferro), a hipofosfatasia e a hipomagnesemia são fatores de risco bem estabelecidos.
  • Doenças renais: As perturbações renais crónicas, que afetam o equilíbrio dos minerais, aumentam o risco de depósitos de pirofosfato de cálcio.
  • Traumatismos articulares: Lesões ou intervenções cirúrgicas numa articulação podem favorecer a formação de cristais nos tecidos.
  • Diabetes: A diabetes está por vezes associada a um risco acrescido de depósitos de cristais nas articulações.

Estes fatores aumentam o risco de desenvolver depósitos de pirofosfato de cálcio, o que pode provocar dores articulares e inflamações.

Sintomas da condrocalcinose

Os sintomas da condrocalcinose variam em função da gravidade da doença e das articulações afetadas. Eis os principais sintomas:

  • Dor articular aguda: Frequentemente semelhante a uma crise de gota, com dores súbitas e intensas numa articulação.
  • Inchaço: A articulação afetada pode ficar inchada, quente e sensível ao toque.
  • Rigidez articular: A mobilidade da articulação afetada pode ficar reduzida, sobretudo após períodos de inatividade.
  • Vermelhidão: Pode surgir uma vermelhidão à volta da articulação, indicando uma inflamação.
  • Articulações frequentemente afetadas: O joelho é a articulação mais frequentemente afetada, seguida do punho, do tornozelo e do ombro.
  • Sintomas crónicos: Algumas pessoas podem apresentar dores e rigidez crónicas, com crises recorrentes de inflamação articular.
  • Deformação articular: A longo prazo, depósitos de cristais persistentes podem provocar deformações articulares e uma deterioração da função articular.

Os sintomas podem ser recorrentes, com episódios de dor aguda seguidos de períodos sem sintomas, ou tornar-se crónicos nos casos avançados.

Imagiologia radiológica

A imagiologia radiológica é essencial para diagnosticar e avaliar a condrocalcinose, permitindo visualizar os depósitos de cristais de pirofosfato de cálcio nas articulações. Eis as principais técnicas utilizadas:

  • Radiografia padrão: A radiografia é o exame mais habitualmente utilizado para detetar os depósitos de cálcio. Mostra linhas ou zonas de calcificação na cartilagem articular, nomeadamente ao nível do joelho, do punho ou da anca.
  • Ecografia: A ecografia permite detetar os cristais nos tecidos moles e no líquido sinovial, ajudando a identificar uma inflamação associada.
  • TAC: A TAC pode fornecer imagens mais detalhadas dos depósitos cálcicos e da extensão da calcificação nas articulações e nos tecidos circundantes.
  • Imagem por ressonância magnética (IRM): Embora a IRM não seja o exame de eleição para a calcificação em si, pode detetar os danos nos tecidos moles e as inflamações associadas, oferecendo uma visão global da articulação.

Estas técnicas permitem confirmar a presença de depósitos de pirofosfato de cálcio e avaliar a extensão da doença para adaptar o tratamento.

Prevenção da condrocalcinose

A prevenção da condrocalcinose assenta principalmente na gestão dos fatores de risco subjacentes e na adoção de medidas destinadas a proteger as articulações. Eis algumas estratégias preventivas:

  1. Controlo das perturbações metabólicas: Gerir condições como o hiperparatiroidismo, a hemocromatose e a hipomagnesemia ajuda a prevenir os depósitos de cristais de cálcio nas articulações.
  2. Hidratação adequada: Manter uma boa hidratação permite reduzir o risco de cristalização nas articulações.
  3. Atividade física regular: O exercício moderado permite preservar a flexibilidade articular e reduzir o desgaste das articulações.
  4. Manutenção de um peso saudável: Evitar o excesso de peso reduz a pressão sobre as articulações, diminuindo o risco de inflamação e de danos.
  5. Acompanhamento médico: Um rastreio regular das perturbações metabólicas, nomeadamente nas pessoas com antecedentes familiares ou doenças crónicas, permite prevenir o aparecimento da condrocalcinose.

Estas medidas permitem diminuir o risco de desenvolvimento ou de agravamento dos depósitos de pirofosfato de cálcio nas articulações. Permitem igualmente preservar a função articular a longo prazo.

Conclusão

Em conclusão, a condrocalcinose é uma afeção ligada a depósitos de cristais de pirofosfato de cálcio nas articulações. Estes depósitos podem provocar dores agudas, inchaços e rigidez articular. A gestão desta doença assenta numa deteção precoce, frequentemente efetuada por imagiologia radiológica. É também importante controlar as perturbações metabólicas subjacentes que podem favorecer a progressão da condrocalcinose. As medidas preventivas são essenciais para limitar a evolução da doença e reduzir os sintomas. Adotar um estilo de vida saudável, manter-se ativo e vigiar as condições médicas ajuda a reduzir os riscos. Estas ações permitem também preservar a saúde das articulações a longo prazo e melhorar a qualidade de vida.

Por fim, se tiver sintomas ou preocupações, consultar um médico de medicina geral permite obter um diagnóstico preciso e conselhos adaptados.

Fonte: UpToDate

Esta ficha informativa não substitui uma consulta médica.

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