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Ginecologia

Quisto ovárico

Quisto ovárico

Definição de quisto ovárico

Um quisto ovárico é uma bolsa cheia de líquido que se forma sobre ou dentro de um ovário. Estes quistos desenvolvem-se frequentemente durante o ciclo menstrual. A maioria dos quistos ováricos são benignos e desaparecem espontaneamente. Contudo, alguns quistos podem persistir e provocar dores abdominais. Em certos casos, podem originar complicações como a torção ovárica. Quistos maiores ou sintomáticos podem exigir intervenção médica. Os médicos vigiam estes quistos com exames regulares para evitar complicações.

Epidemiologia

Os quistos ováricos são frequentes nas mulheres em idade fértil. Cerca de 7% das mulheres desenvolvem-nos em algum momento. A maioria dos quistos são funcionais e desaparecem espontaneamente. Formam-se frequentemente durante o ciclo menstrual. Os quistos são mais frequentes nas mulheres pré-menopáusicas. Cerca de 18% das mulheres menopáusicas também podem apresentá-los. A maioria destes quistos são benignos. Os quistos que exigem cirurgia são raros, representando 1 a 2% dos casos.

Causas do quisto ovárico

Os quistos ováricos formam-se por diversas razões. Estão frequentemente associados ao ciclo menstrual, em que um folículo não liberta o óvulo, originando a formação de um quisto folicular. Após a ovulação, pode formar-se um quisto do corpo lúteo se o folículo não se dissolver corretamente. Um desequilíbrio hormonal, nomeadamente uma produção excessiva de estrogénios, pode igualmente provocar quistos. As mulheres com endometriose podem desenvolver quistos endometriósicos, nos quais o tecido endometrial se fixa ao ovário. Durante a gravidez, pode formar-se um quisto no início para apoiar a produção de hormonas. As infeções pélvicas graves são outra causa, pois podem propagar-se aos ovários e às trompas de Falópio, originando a formação de quistos. Por último, a síndrome dos ovários poliquísticos (SOP) é uma condição em que problemas hormonais conduzem à formação de múltiplos pequenos quistos nos ovários.

Fatores de risco

Os fatores de risco para o desenvolvimento de quistos ováricos incluem vários elementos:

  • Idade: As mulheres em idade fértil, sobretudo entre os 20 e os 35 anos, são mais suscetíveis de desenvolver quistos ováricos funcionais.
  • Desequilíbrios hormonais: Um ciclo menstrual irregular ou um desequilíbrio hormonal pode aumentar o risco de formação de quistos, em particular os associados a uma produção excessiva de estrogénios.
  • Gravidez: Durante a gravidez, alguns quistos, como os do corpo lúteo, podem formar-se para apoiar a produção de hormonas necessárias à gestação.
  • Endometriose: As mulheres com endometriose apresentam um risco acrescido de desenvolver quistos endometriósicos, que se formam quando o tecido endometrial se fixa aos ovários.
  • Síndrome dos ovários poliquísticos (SOP): Esta condição, marcada por desequilíbrios hormonais, origina a formação de múltiplos pequenos quistos nos ovários.
  • Infeções pélvicas graves: As infeções que se propagam aos ovários e às trompas de Falópio podem provocar a formação de quistos.
  • Tratamentos de fertilidade: Algumas terapias de estimulação ovárica, utilizadas em tratamentos de fertilidade, podem aumentar o risco de formação de quistos.
  • Antecedentes familiares: Ter uma mãe ou uma irmã que tenha tido quistos ováricos pode aumentar o risco de desenvolver esta condição.

Estes fatores de risco variam de mulher para mulher e podem exigir vigilância médica para prevenir ou gerir complicações.

Sintomas do quisto ovárico

Os sintomas de um quisto ovárico podem variar, mas manifestam-se vários sinais comuns. Uma dor pélvica é frequentemente sentida, geralmente localizada de um lado do abdómen, podendo ser constante ou intermitente. Algumas mulheres sentem uma sensação de inchaço ou de peso no abdómen devido à presença do quisto. Também podem ocorrer irregularidades nos ciclos menstruais, com hemorragias mais abundantes ou mais ligeiras do que o habitual.

A dor durante as relações sexuais é outro sintoma possível, tal como uma pressão ou desconforto ao urinar ou ao defecar, causada pelo quisto que exerce pressão sobre os órgãos vizinhos. Em alguns casos, podem surgir náuseas ou vómitos, sobretudo se o quisto se torcer ou romper. Uma dor abdominal súbita e intensa também pode ocorrer em caso de rutura ou de torção ovárica, o que constitui uma emergência médica. Por fim, corrimentos vaginais anormais podem acompanhar estes outros sintomas, embora seja menos frequente.

Se tiver dúvidas, consulte um profissional de saúde para que avalie a sua situação e assegure uma vigilância regular.

Imagiologia radiológica

A imagiologia radiológica é uma ferramenta essencial para o diagnóstico e a gestão dos quistos ováricos. Entre as técnicas mais frequentemente utilizadas, a ecografia pélvica é o método de referência. Permite visualizar o tamanho, a forma e a natureza dos quistos (líquido, sólido ou misto). A ecografia transvaginal oferece uma vista mais detalhada dos ovários e das estruturas envolventes, o que ajuda a distinguir os quistos benignos das massas potencialmente malignas.

Em alguns casos, utiliza-se uma imagem por ressonância magnética (IRM) para fornecer uma imagem mais precisa, sobretudo se a ecografia não for suficiente para determinar a natureza do quisto. A IRM é particularmente útil para avaliar as estruturas pélvicas complexas e para as doentes com massas ováricas suspeitas.

A tomografia computorizada (TC) também pode ser utilizada, embora seja menos comum para os quistos ováricos. É geralmente reservada às situações em que é necessária uma vista mais global do abdómen e da pélvis, ou para planear uma intervenção cirúrgica.

A imagiologia radiológica é, portanto, indispensável para avaliar os quistos ováricos, determinando o seu tamanho, conteúdo e o seu impacto potencial sobre os órgãos envolventes. Ajuda os médicos a decidir sobre o tratamento adequado, quer se trate de uma simples vigilância, de um tratamento médico ou de uma intervenção cirúrgica.

Prevenção do quisto ovárico

A prevenção dos quistos ováricos implica várias estratégias-chave. A utilização de contracetivos orais pode regular os ciclos menstruais e prevenir os quistos funcionais, impedindo a ovulação. Um acompanhamento regular com um ginecologista é importante, sobretudo para as mulheres com antecedentes familiares ou SOP. Adotar um estilo de vida saudável, incluindo alimentação equilibrada e atividade física, ajuda a manter um bom equilíbrio hormonal. Limitar a exposição aos disruptores endócrinos é igualmente recomendado para preservar a saúde hormonal e prevenir complicações. Evite a utilização não supervisionada de medicamentos hormonais para reduzir o risco de formação de quistos ováricos.

Conclusão

Os quistos ováricos são formações comuns que podem variar de benignas a exigirem intervenção médica. Embora muitos quistos desapareçam sem tratamento, uma avaliação médica continua a ser essencial para prevenir qualquer eventual complicação. Além disso, uma vigilância regular bem como a gestão dos desequilíbrios hormonais podem reduzir o risco de formação de quistos. Adotar um estilo de vida saudável, com uma boa alimentação e exercício, contribui igualmente para esta prevenção.
Por fim, se tiver sintomas ou preocupações, consultar um clínico geral permite obter um diagnóstico preciso e conselhos adequados.

Fonte: UpToDate

Esta ficha informativa não substitui uma consulta médica.

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