CIL — Centre d'Imagerie de LancyVoltar às patologias
·····

Cardiovascular

Estenose aórtica

Estenose aórtica

Definição de estenose aórtica

A estenose aórtica é um estreitamento da válvula aórtica, reduzindo a abertura pela qual o sangue sai do coração para entrar na aorta. Este estreitamento limita a quantidade de sangue bombeado do ventrículo esquerdo para a aorta. Esta condição impõe uma sobrecarga de trabalho ao coração, que deve compensar aumentando a sua força de contração.

Epidemiologia

Na Suíça, a estenose aórtica afeta principalmente as pessoas idosas, sendo uma das doenças valvulares cardíacas mais frequentes. Cerca de 3 a 4 % das pessoas com mais de 75 anos sofrem de estenose aórtica grave. O aumento da esperança de vida contribui para a prevalência crescente desta patologia. O envelhecimento da população suíça faz com que esta afeção cardíaca seja cada vez mais comum nos cuidados de saúde. Devido à progressão lenta da doença, muitos doentes só recebem um diagnóstico quando esta atinge um estádio avançado, exigindo frequentemente uma intervenção cirúrgica como a substituição valvular.

Causas da estenose aórtica

A estenose aórtica é principalmente causada pelo estreitamento da válvula aórtica, que limita o escoamento do sangue do coração para a aorta. Este estreitamento resulta frequentemente da calcificação progressiva dos folhetos da válvula, tornando-a rígida e incapaz de se abrir corretamente. As malformações congénitas, como uma válvula aórtica bicúspide, também podem causar a estenose ao perturbar a estrutura normal da válvula. Além disso, antecedentes de doenças cardíacas ou inflamatórias podem provocar danos diretos na válvula, causando o seu estreitamento.

Fatores de risco

Os fatores de risco da estenose aórtica incluem:

  • Idade avançada: O envelhecimento provoca a calcificação progressiva da válvula aórtica, aumentando o risco de estenose.
  • Válvula aórtica bicúspide: As pessoas que nascem com uma válvula aórtica com dois folhetos em vez de três são mais suscetíveis de desenvolver estenose.
  • Hipertensão: Uma pressão arterial elevada pode acelerar o desgaste das válvulas cardíacas, favorecendo o estreitamento.
  • Hipercolesterolemia: Um nível elevado de colesterol pode contribuir para a formação de depósitos de cálcio na válvula aórtica.
  • Febre reumática: Esta doença inflamatória pode danificar as válvulas cardíacas e levar à estenose.
  • Tabagismo: Fumar acelera a calcificação das artérias e das válvulas, aumentando o risco de estenose.
  • Diabetes: A diabetes favorece os depósitos de cálcio nas válvulas cardíacas, contribuindo para o estreitamento da válvula aórtica.

Sintomas da estenose aórtica

Os sintomas da estenose aórtica incluem:

  • Falta de ar: A dificuldade em respirar, sobretudo durante esforços físicos, é comum.
  • Dores torácicas: Podem surgir dores ou uma pressão ao nível do peito, nomeadamente durante a atividade física.
  • Desmaios: A estenose aórtica pode provocar síncopes, sobretudo durante esforços.
  • Fadiga: Uma fadiga excessiva, mesmo para atividades ligeiras, pode ocorrer devido ao baixo débito sanguíneo.
  • Palpitações: Os doentes podem sentir batimentos cardíacos irregulares ou rápidos.
  • Edema: Pode surgir um inchaço dos tornozelos ou dos pés, devido à acumulação de líquido.
  • Sopro cardíaco: Um médico pode detetar um sopro cardíaco durante a auscultação, sinal de uma má abertura da válvula.

Imagiologia radiológica

O diagnóstico da estenose aórtica assenta em três principais técnicas de imagiologia radiológica:

  • Ecocardiografia: É o exame de referência para diagnosticar a estenose aórtica. Permite visualizar a válvula, avaliar a sua calcificação e medir a gravidade da estenose, analisando o fluxo sanguíneo e a superfície da válvula.
  • RM cardíaca: A RM oferece imagens detalhadas da válvula aórtica e do coração. Permite avaliar a estrutura e a função ventricular, sendo útil quando outras imagiologias são insuficientes.
  • Tomografia computorizada (TC): O scanner permite medir a calcificação da válvula aórtica e avaliar as estruturas circundantes. É frequentemente utilizado para planear intervenções cirúrgicas, como a substituição valvular aórtica.

Estas técnicas permitem uma avaliação completa da estenose e orientam a abordagem terapêutica.

Prevenção da estenose aórtica

A prevenção da estenose aórtica assenta em medidas destinadas a reduzir os fatores de risco cardiovasculares e a manter uma boa saúde cardíaca. Eis algumas recomendações:

  • Adotar uma alimentação saudável: Seguir uma dieta rica em frutas, legumes, cereais integrais e pobre em gorduras saturadas ajuda a prevenir a calcificação das válvulas.
  • Controlar a hipertensão: Vigiar e tratar a hipertensão arterial reduz o stress sobre a válvula aórtica.
  • Manter um nível de colesterol baixo: Reduzir os níveis de colesterol através da alimentação ou de medicamentos pode limitar a formação de depósitos de cálcio na válvula.
  • Deixar de fumar: O tabagismo favorece a calcificação das artérias e das válvulas, aumentando o risco de estenose aórtica.
  • Praticar atividade física regular: O exercício ajuda a manter uma boa circulação sanguínea e um coração saudável.
  • Tratar rapidamente as infeções: Prevenir as infeções, como as infeções estreptocócicas, que podem danificar as válvulas.
  • Vigiar regularmente a saúde cardiovascular: Os exames médicos regulares permitem detetar precocemente problemas cardíacos e adaptar os tratamentos.

Estas medidas permitem reduzir o risco de desenvolver uma estenose aórtica ou de agravar uma afeção existente.

Conclusão

A estenose aórtica é uma patologia cardíaca grave que, sem tratamento, pode levar a complicações potencialmente mortais. Este estreitamento da válvula aórtica, frequentemente ligado ao envelhecimento ou a condições subjacentes, impõe uma sobrecarga de trabalho ao coração. Um diagnóstico precoce, através de técnicas de imagiologia modernas como a ecocardiografia, a RM e a tomografia computorizada, é essencial para avaliar a gravidade e planear uma intervenção adaptada. Embora a prevenção completa seja difícil, adotar um estilo de vida saudável, controlar os fatores de risco e consultar regularmente um profissional de saúde pode abrandar a progressão da doença. Graças aos avanços médicos, nomeadamente a substituição valvular aórtica, muitos doentes podem recuperar uma melhor qualidade de vida. Um acompanhamento médico rigoroso e uma abordagem proativa continuam a ser as chaves para gerir eficazmente esta doença.

Por fim, se tiver sintomas ou preocupações, consultar um clínico geral permite obter um diagnóstico preciso e conselhos adaptados.

Fonte: UpToDate

Esta ficha informativa não substitui uma consulta médica.

Marcar consulta

Marcar consulta